Além de ponte em Porto Murtinho, Paraguai planeja construção de ferrovia paralela à rota bioceânica

Informação foi revelada durante o I Seminário de Integração da Infraestrutura de Transporte Rodo-ferroviário da América do Sul, em Assunção

Corredor bioceânico vai reduzir em 17 dias o trajeto de viagem das commodities de Mato Grosso do Sul até o mercado asiático - Chico Ribeiro

Durante o I Seminário de Integração da Infraestrutura de Transporte Rodo-ferroviário da América do Sul, nesta segunda-feira (12), em Assunção, o governo paraguaio reforçou o projeto de construção da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho, obra que tornará viável a rota rodoviária bioceânica passando por Mato Grosso do Sul até chegar aos portos do Chile. No entanto, a grande novidade do evento foi o anúncio do plano do país vizinho de construir paralelamente à rodovia uma estrada de ferro que vai cortar todo o território paraguaio até se conectar com a ferrovia argentina na cidade de Salta, segundo informou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck.

O titular da pasta representou o Governo de Mato Grosso do Sul no seminário, que também teve a presença de toda a alta cúpula do Paraguai, do senador Nelson Trad Filho (PSD), presidente da Comissão de Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, do coordenador-geral de Assuntos Econômicos Latino-Americanos e Caribenhos do Ministério das Relações Exteriores, ministro João Carlos Parkinson de Castro, do deputado federal Vander Loubet (PT) e do diretor da Itaupu Binacional, Carlos Marun.

“A grande novidade que ouvimos aqui foi através do ministro de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Arnoldo Wiens. Está reservada uma faixa de 60 metros ao lado da rodovia bioceânica que passa por obras de pavimentação, para construção de uma ferrovia ligando Carmelo Peralta/Porto Murtinho até a cidade de Salta, ao Norte da Argentina”, disse o secretário. “Mato Grosso do Sul está no centro dessa discussão, existe hoje um pensamento único no Estado em prol do desenvolvimento”, comemorou.

Verruck esclareceu que segue mantido o cronograma de construção da ponte sobre o Rio Paraguai – obra que torna viável a ligação rodoviária bioceânica, será construída pela Itaipu com valor estimado de R$ 290 milhões e tem previsão de estar concluída em 2023. O senador Nelsinho Trad garantiu, também, que o acesso da BR-267 até o local de construção da ponte – trecho de 11 quilômetros – será executado pelo governo brasileiro, com recursos já reservados no PPA (Plano Plurianual).

O parâmetro para a construção da ponte de Porto Murtinho será a ponte estaiada construída sobre o Rio Paranaíba e que liga o município sul-mato-grossense de Paranaíba a Porto Alencastro (MG). O modelo é considerado uma referência porque não atrapalha a navegabilidade do rio, já que os pilares serão erguidos nas margens e a uma altura que permite às embarcações passagem por baixo. A ponte terá extensão total de 680 metros, de uma barranca a outra do rio, 12 metros de largura, com mais uma passarela lateral para pedestre de um metro de largura. O vão entre os dois pilares medirá 380 metros, mais 150 metros de cada pilar até a margem. A altura dos pilares que sustentarão os cabos será de 95 metros.

A reunião em Assunção aconteceu nesta segunda-feira – Divulgação

Com a construção do corredor bioceânico, o intuito é reduzir em 17 dias o trajeto de viagem das commodities de Mato Grosso do Sul até o mercado asiático, embarcando nos portos do Chile, ao invés de usar os portos de Paranaguá (PR) ou de Santos (SP). O Paraguai se encarrega da pavimentação do trecho de 600 quilômetros da rota que corta seu território – os países, agora, concentram negociações para concretizar o modal ferroviário.

De acordo com Arnoldo Wiens, há bastante confiança no sucesso das negociações. O ministro paraguaio lembrou que o evento desta segunda-feira foi o primeiro encontro internacional para tratar da construção da rota rodo-ferroviária e muito já se avançou. Ele, agora, tem expectativa de que o assunto seja amadurecido nos governos de capa país participante e, em breve, seja promovida outra reunião para avaliar o andamento das tratativas.