Para controlar e combater queimadas, MS cria Sala de Situação Integrada

Relatórios apontaram que maior propagação dos focos de calor se mantém nas regiões da Serra da Bodoquena e do Pantanal de Corumbá

Durante a reunião foi dito que a incidência de focos de calor em Mato Grosso do Sul está dentro da normalidade prevista pelos órgãos de monitoramento e prevenção - Edemir Rodrigues

Mato Grosso do Sul passa a contar com uma Sala de Situação Integrada para controle e combate das queimadas. A definição dos órgãos federais e estaduais que vão integrá-la aconteceu nesta sexta-feira (23), durante reunião realizada na Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), em Campo Grande.

A Sala de Situação Integrada concentrará as informações de campo, levantamentos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e previsões climáticas para tomada de decisões, sob coordenação da Defesa Civil do Estado. A incidência de focos de calor em Mato Grosso do Sul é considerada dentro da normalidade prevista pelos órgãos de monitoramento e prevenção, como Ibama e Defesa Civil do Estado, levando em conta a ocorrência de uma estiagem mais prolongada em relação ao ano passado. As queimadas em grandes extensões rurais estão sendo combatidas e controladas.

De acordo com o titular da Semagro, Jaime Verruck, a centralização das informações relativas às queimadas possibilitará uma ação conjunta e mais rápida e abrangente, envolvendo, inclusive, outros órgãos e a iniciativa privada. Como exemplo, o secretário citou a Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas).

“Vivemos uma situação preocupante, que deve perdurar até outubro, mas a análise que fizemos é que não há uma condição de anormalidade. Teremos o apoio da Reflore, cujo presidente, Dito Mário, participou da nossa reunião e nos informou que as queimadas no setor de reflorestamento atingiram até agora 130 hectares. A entidade tem seu próprio sistema de combate a incêndios e pode nos auxiliar”, explicou Verruck.

Expectativa de chuvas em setembro

Durante a reunião da Sala de Situação Integrada, relatórios apontaram que maior propagação dos focos de calor se mantém nas regiões da Serra da Bodoquena e no Pantanal de Corumbá, onde as brigadas do PrevFogo do Ibama estão trabalhando no combate aos incêndios. Na quinta-feira (22), uma patrulha se concentrava em uma área de foco no Morro do Chapéu, Pantanal do Jacadigo, a 40 quilômetros de Corumbá.

O Estado deverá continuar com situação de alerta até outubro, segundo previsões do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul), vinculado à Semagro. A coordenadora Franciene Rodrigues participou da reunião e adiantou que as chuvas devem retornar a partir dos dias 07 e 08 de setembro, no entanto, abaixo da média histórica (100 milímetros), em torno de 80 milímetros.

Já no mês de outubro, as precipitações devem acontecer com maior intensidade (120 milímetros), mas ainda inferiores à média (140 milímetros), voltando a normalidade em novembro. O coordenador estadual de Defesa Civil, tenente-coronel Fábio Catarinelli, explicou que o panorama traçado pelo Cemtec permitirá que se faça um planejamento das ações para manter o controle das situações de fogo.

Reunião aconteceu na Semagro – Edemir Rodrigues

Investigação do Ibama

Dados de 2019 do Inpe indicam que até o dia 20 de agosto ocorreram 3.998 focos de calor em Mato Grosso do Sul, a maioria deles (1.014) em Corumbá. Na reserva indígena dos Kadiwéus (Serra da Bodoquena), onde há áreas arrendadas para produtores rurais, os focos somam 323, enquanto, no ano passado, ocorreram apenas 35. O Ibama informou que iniciará uma investigação para apurar as causas.

Na região do Porto da Manga, em Corumbá, onde teriam sido queimados mais de 2 mil hectares, entre a BR-262 e a Estrada-Parque (MS-228), há indícios de fogo criminoso para renovação de pastagem. O coordenador estadual do PrevFogo, Márcio Yule, informou que a queima ocorreu no ano passado, sem danos maiores por conta das chuvas em agosto, mas, agora, com a intensidade da seca, o fogo foi incontrolável.

Órgãos participantes

Também estiveram presentes na reunião o novo superintendente do Ibama/MS, coronel Luiz Carlos Marchetti, e os comandantes do Corpo de Bombeiros (interino), coronel Luis Antônio de Mello, e da PMA (Polícia Militar Ambiental), coronel Jeferson Vila Maior.

O encontro definiu que a Sala de Situação Integrada terá a participação da Semagro, Defesa Civil/MS, Ibama, Imasul, Centec/MS, PMA, Corpo de Bombeiros, SES (Secretaria de Saúde do Estado) e Defesa Civil dos municípios.