Governo do Estado declara emergência por conta da alta incidência de queimadas em MS

Decreto assinado por Reinaldo Azambuja será publicado no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira. Mês de setembro já ultrapassa as médias históricas de focos de calor.

Anúncio da situação de emergência foi precedido de um levantamento dos focos pela Defesa Civil - Saul Schramm

Diante da alta incidência de focos de queimadas em Mato Grosso do Sul, com impactos ambientais, de saúde e econômicos, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) declarou situação de emergência. O decreto será publicado na edição desta quinta-feira (12) do DOE (Diário Oficial do Estado).

Em 2019, conforme levantamento do Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o fogo já destruiu mais de 1 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul. As previsões de manutenção de um ambiente de alto risco em função da estiagem prolongada e a baixa umidade levaram o Governo do Estado a tomar a medida extrema.

O secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), anunciou sobre a decretação da situação de emergência, na manhã desta quarta-feira (11), após participar de reunião com Azambuja.

“Foi tomada uma decisão técnica, em razão de uma situação crítica, onde o número de focos, que vinha se mantendo dentro de uma média, sofreu uma alteração drástica nos últimos dias e o fogo se expandiu, com impactos diretos no meio ambiente, na saúde da população e na produção”, justificou Verruck.

Além da medida, de acordo com o secretário, o Executivo sul-mato-grossense tem monitorado os focos de calor, com sobrevoos nas áreas mais críticas, enquanto o Corpo de Bombeiros está em alerta máximo e montou uma escala operacional de combate ao fogo, envolvendo 56 militares de folga e do setor administrativo, além dos 200 homens já em operação.

Através da publicação do decreto, conforme Verruck, o Governo do Estado busca apoio junto ao Ministério da Integração Regional e ao Exército em infraestrutura para aumentar as ações de combate aos incêndios florestais, como a disponibilidade de aeronaves e brigadistas.

“A situação tende a piorar, com a onda de calor e a baixa umidade, e a população precisa ficar alerta, não queimar, e denunciar imediatamente aos órgãos competentes, como a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros, algum foco de calor para uma ação simultânea de combate”.

Em entrevista coletiva realizada na Sala de Situação Integrada, instalada desde agosto na Cedec (Coordenadoria de Defesa Civil do Estado), o secretário adiantou que o Estado solicitou, também, apoio operacional das entidades ligadas ao agronegócio e ao setor de celulose, os quais contam com estrutura de combate ao fogo.

Fogo criminoso

A entrevista também contou com a presença do presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de MS), Maurício Sato, que parabenizou o Governo do Estado pela decretação de situação de emergência e pelo trabalho de prevenção que está sendo realizado com a coordenação da Defesa Civil.

“Existe um prognóstico climático desfavorável, e o monitoramento do Estado é fundamental”, disse o dirigente rural, acrescentando que a ausência de chuvas e a onda de calor de alto risco devem influenciar no atraso do plantio da próxima safra de soja.

A Defesa Civil do Estado fez levantamento apontando que o volume de focos de calor teve um aumento de 300% nos últimos três meses. O mês de setembro já ultrapassa as médias históricas, gerando um ambiente de alta combustão e crítico, com o registro de 397 pontos de fogo nas últimas 48 horas, a maioria no Pantanal.

“Mais de 90% são queimadas criminosas”, apontou o secretário Jaime Verruck, lembrando que, desde 2014, vigora uma resolução conjunta do Estado com o Ibama, que proíbe a queima controlada em Mato Grosso do Sul, de 01º de agosto a 30 de setembro, estendendo-se até 31 de outubro na região do Pantanal.

Também participaram da entrevista o chefe do Estado Maior do Corpo de Bombeiros, coronel Edson Zanlucas, o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Fábio Catarinelli, a coordenadora do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul), Franciene Rodrigues, e representantes do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e da PMA (Polícia Militar Ambiental).