Preocupado com situação na Venezuela, senador Nelsinho Trad defende esforços para solução pacífica

Nelsinho, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional no Senado, concedeu entrevista à Rádio Senado e avaliou a situação no país vizinho

Presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional) no Senado no biênio 2019-2020, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) vê com preocupação a situação atual na Venezuela, onde a crise ganhou novos contornos desde que Juan Guaidó se auto-proclamou presidente do país vizinho, por não aceitar a legitimidade da presidência de Nicolás Maduro.

Em entrevista aos jornalistas Adriano Faria e Marcela Diniz, apresentadores do Conexão Senado, da Rádio Senado, Nelsinho lamentou o sofrimento dos venezuelanos que tentam migrar por meio da fronteira com o Brasil, além daqueles que permanecem no território do país caribenho.

“Aqueles que ficam também estão sofrendo com esse mandato ditatorial do presidente Maduro. No meu entendimento, deve se ajuizar no sentido de ter uma saída dessa situação. A partir do momento em que você tem uma circunstância que eleva o sofrimento das pessoas, morte, doença, falta de alimentação, acho que chegou no fim de uma era, de um ciclo. Isso tem que ser reconhecido para que a normalidade volte ao povo da Venezuela”, avaliou o senador.

Para Nelsinho, todos que tenham o mínimo de sentimento humano deveriam defender a saída de Maduro, independentemente de ideologias de centro, esquerda ou direita.

“O que a gente quer é harmonia entre a população, que ela possa viver em paz, ter condições de sua subsistência através do seu trabalho e fazer com que o mínimo das relações humanas possa ser respeitado. E não estamos vendo isso acontecer, o que observamos, por meio de relatos da imprensa e notícias da Embaixada, é uma situação muito mais grave do que a gente possa pensar”.

Rejeição de intervenção militar

O senador vê bom senso na decisão do Grupo de Lima, no qual o Brasil foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), sobre rejeitar a hipótese de uma intervenção militar. Nelsinho acredita que essa seria uma situação extrema, que poderia causar ainda mais mortes e chocar o mundo.

“Há de se ter uma saída consensual, diplomática, onde o bom senso possa imperar. Eu acho difícil, diante do que a gente já notou, [porque] o atual presidente da Venezuela, na minha avaliação, não vai entregar os pontos de forma pacífica. Temo muito aonde isso pode chegar”.

Nelsinho também foi questionado pelos jornalistas sobre qual o encaminhamento que será dado por sua comissão para o assunto. Ele destacou o dinamismo da situação, com mudanças a todo momento, enfatizando a necessidade de acompanhar o desdobramento passo a passo. Nesta terça-feira (26), está marcada uma reunião sobre a crise na Venezuela com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Já na quinta-feira (28), haverá uma audiência com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além de uma reunião com pares da CRE para discutir os encaminhamentos diante das novas circunstâncias que podem aparecer durante a semana.

“Temos acompanhado muito de perto, em contato com o governo brasileiro, no sentido de somarmos esforços nessa saída diplomática, numa saída pacífica”, explicou, fazendo uma analogia aos ensinamentos aprendidos com os avós para dizer que a situação não será resolvida sem diálogo.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional vê com cautela a chance de colocar em pauta a aprovação de um voto de censura a Nicolás Maduro, defendido pelo senador Álvaro Dias (Pode-PR). Primeiramente, de acordo com Nelsinho, o ideal é utilizar todos os esforços diplomáticos para buscar um entendimento, postura que ele enfatiza já estar sendo adotada, antes de chegar a extremos que possam agravar ainda mais a situação. (*Foto: o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional no Senado – Divulgação)