Secretária de Educação diz que reordenamento da Rede Estadual visa investimento em ensino integral

Nesta quarta-feira, ela participou de reunião com deputados estaduais. 'Governo prefere escolas bem equipadas a ter muitas', disse.

A secretária Maria Cecília Amêndola apresentou dados para justificar o reordenamento de escolas estaduais - Luiz Carlos Júnior

Diante das críticas por conta do fechamento de escolas da Rede Estadual de Ensino, a secretária de Educação de Mato Grosso do Sul, Maria Cecília Amêndola, classificou a medida como uma questão de reestruturação e disse que o objetivo do Poder Executivo é o investimento nas escolas em tempo integral. Ela esteve reunida, na manhã desta quarta-feira (27), com deputados estaduais.

“O foco não é a economia, muito pelo contrário. Hoje, temos mais de 50 escolas que oferecem tempo integral e a previsão é a implantação de mais 20 para o próximo ano. É uma questão de reestruturação, pois o Ensino Médio com itinerários requer escolas com ambientes diferenciados. Além disso, de 2015 para cá foram 16 mil alunos a menos. Se pegar desde 2010, a redução foi de 52 mil alunos. Com esses números, daria para desfazer 72 escolas, mas esse não é o caso”, disse a secretária.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), os itinerários formativos consistem no conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho que os estudantes poderão escolher no Ensino Médio. Os itinerários formativos podem se aprofundar nos conhecimentos de uma área do conhecimento e da formação técnica e profissional. Haverá autonomia das redes de ensino na definição de quais itinerários formativos irão ofertar, considerando um processo que envolva a participação de toda a comunidade escolar.

A titular da Educação ainda explicou que o governo deverá empregar os recursos em kits de robótica, computadores, laboratórios e refeitórios.

“Estamos falando de otimização dos recursos públicos. O governo prefere escolas bem equipadas a ter muitas. Prefere qualidade a quantidade. Até 2024, 60% das escolas deverão ser de tempo integral. Portanto, estamos seguindo o Plano Estadual de Educação, estabelecido pelos professores. Não há motivo de alarde. Não terão demissões dos professores efetivos e os alunos serão realocados”, finalizou Maria Cecília.

Crítica

Na terça-feira (26), o deputado Pedro Kemp (PT), que é presidente da Comissão Permanente de Educação, subiu à tribuna para mais uma vez criticar o fechamento de escolas estaduais, por iniciativa do Governo do Estado, além de questionar o fim das eleições para diretores nas escolas de tempo integral.

“Segundo minha equipe levantou, são 15 escolas estaduais sendo fechadas. Isso vai afetar muito. Agora, o governo ainda anuncia projeto que altera as eleições já consagradas pela comunidade escolar. Acho que o governo de direita tem medo da democracia. Há quase 30 anos existe o pleito e elege quem é comprometido com a escola”, alegou o deputado.

Deputado Pedro Kemp: críticas à medida – Luiz Carlos Júnior

O petista se referia ao PL (Projeto de Lei 307/2019), que dispõe sobre a Gestão Democrática do Ensino e Aprendizagem e está em tramitação na Casa de Leis.